Fui convidado para participar o Meet Up do Projeto78 no Hubine em Fortaleza. A inscrição era pela plataforma do Sympla, que permite salvar o ingresso no Wallet.Até aqui, nada de novidade, mas o que me deixou supresso foi um novo recurso do iOS 12. Quando sistema operacional percebeu que eu estava próximo ao local (pelo GPS), colocou o iPhone automaticamente em não perturbe. No texto, tem dizendo que encontrou um ingresso de filme, o que não era o caso, mas isso são pequenos ajustes.Gostei bastante, já tava em tempo de colocar “inteligência” no smartphones ;)
dairan
Google melhora tradução offline com Inteligência Artificial
Tradução precisa sem uma conexão com a internet.
A empresa está lançando no app para iOS e Android do Google Translator uma tradução por máquina neural que não precisa de conexão com internet, prometendo uma conversão de idioma muito mais precisa quando sem necessidade de usar os preciosos dados.
A versão inicial cobre 58 idiomas, incluindo uma série de idiomas europeus e indianos, além de alvos de tradução comuns como árabe, chinês e japonês.
Saiba mais em https://www.engadget.com/2018/06/12/google-translate-offline-ai-translation
Escritório Urbano Vitalino fala sobre ganho de produtividade com o uso do Watson
Urbano Vitalino Neto, diretor-presidente do escritório, irá falar como o robô, adotado pelo escritório no ano passado, tem ajudado nas tarefas operacionais
No próximo dia 06, o Urbano Vitalino Advogados, escritório com 80 anos de atuação no direito empresarial, em áreas como contencioso cível e penal, participará do Think Brasil 2018, um dos principais eventos de tecnologia realizado pela IBM e um dos mais importantes do segmento no País. O objetivo do encontro é mostrar as novidades que as empresas estão adotando para atender às novas demandas de mercado.
O Think Brasil 2018 tem como objetivo apresentar novas tecnologias associadas ao uso da Inteligência Artificial, além de soluções em nuvens, blockchain e computação quântica, ferramentas que estão em fase inicial, mas com alto potencial revolucionário para a humanidade. Na ocasião, Urbano Vitalino Neto, diretor-presidente do escritório, que tem usado o Watson, robô de inteligência artificial da IBM, desde o ano passado, irá abordar como a ferramenta ajudou a aumentar a produtividade.
No dia a dia, a Carol, como o robô foi apelidado dentro do escritório, está colaborando diretamente com os advogados para o cadastramento de processos no sistema interno, a partir da leitura de informações básicas, como a vara e a cidade relacionada ao processo. A assistente virtual já consegue entender os termos jurídicos e ler também os documentos juntados como prova fornecidos pelos clientes.
“Ao fazer o cadastramento de informações no sistema do escritório, por exemplo, o índice de acerto humano é de 75%, com o Watson chega a 95%”, explica Urbano Vitalino Neto, diretor-presidente do escritório
Atualmente o robô está em treinamento para a segunda etapa de implementação. Assim, ele será capaz de auxiliar os advogados com indicação de subsídios, ou seja, documentos que podem ser anexados ao processo, informações sobre sentenças de casos parecidos, dados sobre posicionamento de magistrados e dos tribunais, e ainda a legislação atual para cada caso, aumentando significativamente as chances de vitória.
A terceira e última fase envolverá ações mais estratégicas, relativa a análise não estruturada de dados dos clientes, para encontrar pontos que possam ser melhorados e promovam a redução do volume de ações judiciais feitas contra a empresa. Como, por exemplo, a correção da política de jornada de trabalho com o propósito de reduzir horas extras.
“Nosso objetivo é automatizar algumas atividades repetitivas e direcionar a força de trabalho intelectual dos nossos advogados para funções mais estratégicas, como o próprio atendimento e orientação aos clientes”, comenta Urbano Vitalino Neto.
Sobre o Urbano Vitalino Advogados
Com 80 anos de existência, o escritório Urbano Vitalino conta com uma equipe de mais de 600 profissionais, entre eles advogados com formação intelectual e profissional sólida, diversas especialidades e perfis diferenciados que abrangem todas as áreas do Direito. O Urbano Vitalino Advogados atua na área do Direito Empresarial, Penal, Médico e tem experiência reconhecida em advocacia contenciosa (disputas judiciais, negociação e solução de conflitos) junto ao Poder Judiciário e a diversos órgãos da Administração Pública. Também presta consultoria de forma personalizada nas áreas do direito trabalhista, tributário, imobiliário, societário, ambiental, administrativo-econômico, propriedade intelectual, entre outros ramos.
O Urbano Vitalino Advogados tem unidades próprias em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Angola (África) e em Recife (PE). Além disso, mantém parcerias com escritórios dos Estados Unidos, da América Latina e da Europa. O escritório Urbano Vitalino Advogados foi fundado em Garanhuns (PE), em 1937.
Fonte: https://exame.abril.com.br/negocios/economidia/em-evento-da-ibm-escritorio-urbano-vitalino-fala-sobre-ganho-de-produtividade-com-o-uso-do-watson/
Por que o banco do futuro é uma plataforma
No ano passado, pela primeira vez na história, os aplicativos foram o principal canal de relacionamento dos bancos com seus clientes. Depois da mobilidade, o próximo passo é que os bancos se transformem em plataformas, conectadas a diversos serviços e dispositivos. Essa é uma tendência que mostrou força durante o Ciab Febraban, evento de tecnologia realizado na semana passada pela Federação Brasileira dos Bancos.
No chamado open banking, as instituições financeiras oferecem interfaces de programação de aplicações (APIs, na sigla em inglês) para que seus serviços sejam integrados a outras plataformas. Um exemplo simples, que já existe hoje, é a possibilidade de realizar transações financeiras por meio de aplicativos de mensagem, como o WhatsApp e o Messenger.
Internet das coisas e fintechs
As possibilidades, no entanto, são imensas. Com o crescimento da internet das coisas, os mais variados dispositivos podem se transformar em meios de pagamentos e outros tipos de transações. Será possível, por exemplo, autorizar pagamentos nos painéis dos carros conectados.
A experiência que as pessoas têm hoje com o Uber, em que um aplicativo é usado para fazer pagamentos no mundo físico, sem a necessidade de intervenção do usuário, será cada vez mais comum. Marino Aguiar, diretor de tecnologia do Santander, falou sobre banco como plataforma durante o painel de CIOs, na quinta-feira passada (8/6), do qual fui mediador.
“A tecnologia já está aí, mas ainda existem desafios regulatórios”
Interfaces de programação
No fim do ano passado, o Banco Original, que já nasceu 100% digital, tinha seis APIs, que permitiam operações como consulta de saldos e extratos e pagamentos. Com essas interfaces que permitem aos bancos estarem presentes em aplicativos de terceiros, os bancos poderão se integrar mais facilmente com fintechs e outras startups de tecnologia.
Do ponto de vista do cliente, Gustavo Fosse, diretor setorial de tecnologia da Febraban, aponta que uma visão do futuro é a loja conceito Amazon Go, em que o consumidor se identifica na entrada com seu celular e, para comprar, precisa somente retirar os produtos da gôndola, sem passar por um caixa no final da operação. Ou seja, o banco do futuro quase não será percebido.
Fonte: http://www.inova.jor.br/2017/06/12/open-banking-futuro-bancos/
IBM aposta em reinvenção digital de ecossistema para potencializar a transformação digital
Em evento realizado em São Paulo, companhia compartilhou com clientes e parceiros experiência interna de TD e discutiu conceitos e experiências de digital integrado
Muito se fala em transformação digital e como ela pode ser benéfica para a evolução e sucesso da empresa. Porém, muitas organizações ainda entendem que trata-se de digitalizar partes de seus processos ou realocar sistemas e legados em nuvem. Para a IBM, o conceito vai além e faz parte de uma jornada que tem como objetivo a reinvenção digital de toda a cadeia de negócios.
Na companhia são 150 gerentes que foram nomeados embaixadores para liderar a transformação digital dentro da própria IBM
“Ela é o caminho. Deve ser planejada e muito bem pensada em todas as suas fases. Deve unir praticidade, precisão e, principalmente, identidade”, disse o presidente da IBM Brasil, Tonny Martins, ao abrir o IBM Think Brasil 2018. A companhia reuniu clientes e canais para discutir como o uso de plataformas digitais podem acelerar o ritmo da transformação digital.
A IBM defende que a transformação digital deve permear toda a operação da empresa e, para mostrar esse conceito na prática, abriu sua estratégia nesta jornada. “Esse processo exige muito porque a companhia precisa seguir operando”, explicou. Segundo Martins, na companhia são 150 gerentes que foram nomeados embaixadores para liderar a transformação digital dentro da própria IBM.
Reinvenção digital
Até 2020, o IDC prevê que as oportunidades em torno da transformação digital atingirão US$ 2 trilhões. “Acabaram-se as fronteiras. Transformação digital hoje não deve ser mais voltada somente a alguma indústria ou setor”, disse Ricardo Barbosa, Vice-Presidente LA Digital Strategy & iX da IBM. Segundo o executivo, é preciso que haja uma reinvenção digital de todo o seu ecossistema.
Nessa jornada, a companhia conta com os seus parceiros como principal apoio. “Antes, o mercado era ditado por melhores práticas. Hoje, é uma nova forma de fazer”, afirmou. Para isso, a IBM está em processo contínuo de capacitação de seu canal. O objetivo é desenvolver um perfil mais consultivo que possa ter uma abordagem simples, mas com arcabouço técnico.
“O mundo vai ser multicloud e precisamos de canais capazes de participar do processo de co-criação das soluções”. A IBM recentemente abriu os seus APIs para que os parceiros pudessem desenvolver soluções. Entre as ações práticas, a empresa disponibiliza o IBM Garage para ajudar o canal a escalar as soluções, que são replicadas com a ajuda e metodologia da IBM.
As experiências que envolvem a TD devem mudar processos da porta para dentro e com escala. Para isso, é preciso ter um propósito de valor, talentos e mudança de mindset. “O grande conceito não são as ideias e sim a capacidade de executar essas ideias em 360°. A Inteligência Artificial é um dos pilares para engajar consumidores ao prover experiências diferenciadas”, pontua Barbosa.
O Volkswagen Virtus foi um dos exemplos destacados no evento. Em parceria com a IBM, a companhia alemã em desenvolveu o primeiro manual cognitivo com o uso do IBM Watson para responder aos motoristas questões sobre o veículo. A solução permite uma nova forma de interagir com o veículo e oferece uma nova experiência tecnológica. Foram cerca de 800 perguntas.
Fonte: https://inforchannel.com.br/2018/06/11/ibm-aposta-em-reinvencao-digital-de-ecossistema-para-potencializar-a-transformacao-digital/
Mastercard solicita patente de blockchain pública
A todo momento surgem novas tecnologias, porém morrem tão rápido quanto nascem. Somente quanto ela chama atenção do mainstream que tem alguma chance de sobreviver. Dia 08 de junho de 2018, a Mastercard solicitou uma patente para uso de blockchain pública.
“A transação pode ser conduzida através da apresentação de um código legível por máquina ao dispositivo de ponto de venda, o que pode impedir ainda mais a ‘raspagem’, pois a leitura desse código pode ser controlada mais facilmente através do controle do ecrã subjacente, facilmente blindado e muitas vezes é prejudicado se guardado em um bolso ou uma bolsa.”
Veja mais em https://cryptoslate.com/mastercard-applies-for-public-blockchain-patent/
Trabalhadores digitais: a combinação entre robôs e pessoas
O rápido desenvolvimento da inteligência artificial tem acelerado a evolução de tecnologias de automatização, o que significa que novos mecanismos estão viabilizando projetos mais rápidos, menores e com retorno de investimento interessante (3 a 5 meses – ROI 150%). O potencial é enorme mas a adoção está apenas começando, pela necessidade de entendimento do tema por parte das empresas.
Se mudarmos a perspectiva sobre o uso dessas tecnologias e o papel que trabalhadores digitais podem assumir, novos patamares de produtividade e escalabilibade poderão ser atingidos, considerando que pesquisas apontam que cerca de 30% do que é executado nas organizações têm potencial para ser substituído por mecanismos robóticos.
Os Trabalhadores Digitais são resultantes de um esforço de Digitalização e Automatização de Negócios, onde métodos combinados com mecanismos buscam a substituição de atividades e tarefas repetitivas em torno da organização de processos, criando um ambiente balanceado entre esses trabalhadores digitais e as pessoas.
Com mecanismos e tecnologias extremamente flexíveis e adaptáveis, qualquer setor que tenha muita concentração de esforço com atividades repetitivas, manuais, em processos não estruturados, executados com grande frequência, pode se beneficiar deste conceito.
Como exemplo profissionais podem adotar mecanismos robóticos para realizar o primeiro atendimento de e-mails e abertura de tickects, efetuar abertura ou encerramento de contas, ler e copiar dados de documentos em sistemas, lançar notas fiscal, copiar e colar dados entre sistemas ou planilhas, entre outras tarefas para melhorar os níveis de conformidade, prazo e assertividade para o negócio.
A utilização de mecanismos robóticos poderá mudar – e muito! – o modo de trabalho de centrais de atendimento como conhecemos hoje. Ao invés de focar em capturar dados dos clientes, digitar e redigitar em várias telas haverá mais tempo para o trabalho intelectual de entendimento e resolução de problemas e demandas. Robôs que repetem tarefas trabalham em torno de 4x mais rápido em tarefas repetitivas que pessoas, ou o tempo para organização de conteúdo em média é 50% menor, entre outros benefícios que podem motivar a adoção.
A combinação de capacidades como captura de dados de documentos, tarefas repetitivas (control C, Control V), organização de conteúdo, tomada de decisão em milissegundos, a orquestração de processos e casos dinâmicos e inteligência operacional cognitiva, viabilizarão a adoção de trabalhadores digitais cada vez mais sofisticados e produtivos.
Com a automatização e adoção dos trabalhadores digitais, as empresas poderão obter benefícios como:
- Escalabilidade, porque trabalhadores digitais são muito mais rápidos de serem copiados e replicados em tarefas repetitivas que pessoas, caso a empresa esteja crescendo;
- Redução de erros humanos, uma vez que robôs não se distraem na execução de rotinas;
- Aumento da produtividade, uma vez que as velocidades dos robôs são maiores que das pessoas;
- Menores custos de desenvolvimento, dado pelo modelo ágil sobre qual essas tecnologias foram concebidas, para que os times de negócios possam moldá-las rapidamente;
- e por fim, quando a escala de adoção for significativa, o aumento da receita por colaborador!
Quer saber mais sobre os trabalhadores digitais e a automação robótica de processos? Eu estarei no RPA Congress, que acontecerá em 8 e 9 de maio, em São Paulo (SP), e apresentarei a palestra “Combinando capacidades robóticas para aumentar escala e produtividade com trabalhadores digitais”. Participe!
Por Luis Fernando Faria, Líder de Digital Business Automation na IBM Brasil
fonte: http://www.timaissimples.com.br/2018/05/trabalhadores-digitais-combinando-robos-e-pessoas/
Fundação de Bill Gates e CNPq lançam desafio em Ciência de Dados exclusivo para brasileiros
A Fundação Bill & Melinda Gates em parceria com o Ministério da Saúde, CNPq e CONFAP lançam o primeiro Grand Challenges Exploration (GCE) exclusivo para pesquisadores brasileiro. O primeiro GCE foi lançado em 2003.
A chamada busca propostas inovadoras que utilizem ciência de dados e modelagens para entender os principais fatores que impactam a saúde materna e o desenvolvimento infantil no Brasil. A ideia é que os projetos financiados ajudem os gestores a definir melhores políticas públicas e intervenções nessa área.
A parceria busca soluções em 17 temas, que variam de ferramentas para identificação de riscos ao desenvolvimento infantil a avaliações do impacto de intervenções e programas sociais na saúde materno-infantil. Desde 2009, 14 projetos brasileiros foram apoiados pela iniciativa Grand Challenges Explorations em chamadas abertas para pesquisadores do mundo todo. Além do financiamento de 100 mil dólares da Fundação Gates, os brasileiros podem receber nesta chamada um adicional de 25% a 50% do valor total das FAPs de seus estados. Aderiram a esta chamada, apoiados pelas suas respectivas Fundações, os estados de Amazonas (Fapeam), Bahia (Fapesb), Ceará (Funcap), Distrito Federal (FAPDF), Espírito Santo (Fapes), Goiás (Fapeg), Maranhão (Fapema), Minas Gerais (Fapemig), Paraná (Fundação Araucária), Pernambuco (Facepe), Rio Grande do Norte (Fapern), Rio Grande do Sul (Fapergs), Santa Catarina (Fapesc), São Paulo (Fapesp), Sergipe (Fapitec) e Tocantins (Fapt).
As inscrições para o Grand Challenges Explorations vão até 2 de maio. Qualquer pessoa pode enviar projetos. Não é necessário ser mestre, doutor nem anexar currículo, referências ou resultados prévios. A seleção é baseada exclusivamente na qualidade da proposta, que deve ser inovadora, e no seu potencial para resolver grandes desafios globais. São aceitos projetos de candidatos de qualquer área ou organização, incluindo universidades, laboratórios, institutos de pesquisa, ONGs e empresas privadas. Para participar, basta descrever sua ideia em duas páginas em inglês com uma cópia em português.
Acesse aqui a Chamada no site do Confap: http://confap.org.br/news/grand-challenges-explorations-brasil/
Acesse aqui a Chamada no site da Fundação Bill e Melinda Gates: https://gcgh.grandchallenges.org/challenge/grand-challenges-explorations-brazil-data-science-approaches-improve-maternal-and-child.
Como as robôs ajudam o TCU a caçar irregularidades em licitações
Os auditores do Tribunal de Contas da União recebem pontualmente às 19h um e-mail de Alice. São os resumos das centenas de contratações federais publicadas naquele dia. Prestativa, ela já indica quais podem conter irregularidades. Diferente do que seria de esperar, Alice não é um servidor público megaprodutivo. Ela é um robô, usado pelo TCU para caçar fraudes e outras irregularidades em licitações.
“Esse tipo de trabalho poderia ser feito por humanos, mas seria muito custoso porque são, em média, 200 editais por dia”, diz Wesley Vaz Silva, diretor da Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação do TCU, ao G1.
“A gente precisa saber o que está acontecendo, saber o que está sendo contratado, saber que obras estão sendo feitas, saber como a política pública está sendo contratada.”
Alice trabalha ainda com Sofia e Monica, outras duas companheiras robóticas que como ela não têm braços, pernas ou corpos de metal. São um conjunto de linhas de código que “vivem” nos sistemas do TCU. Elas “leem” o grande volume de texto produzido e analisado pelo tribunal para encontrar incongruências, organizar melhor as informações e apontar correlações.
As três robôs já são usadas por servidores da Controladoria Geral da União, Ministério Público Federal, Polícia Federal e tribunais de contas dos Estados. Depois de dicas delas, licitações com falhas já foram canceladas e compras públicas enviesadas tiveram que ser refeitas.
Alice
No ar desde fevereiro de 2017, Alice é um acrônimo para Análise de Licitações e Editais. O robozinho lê editais de licitações e atas de registro de preços publicados pela administração federal, além de alguns órgãos públicos estaduais e estatais. Para isso, coleta informações do Diário Oficial e do Comprasnet, o sistema que registra as compras governamentais. A partir daí, ela elabora uma prévia do documento e aponta aos auditores se há indícios de desvios. Verifica, por exemplo:
- se um edital exige dos participantes certidões que o TCU não considera pré-requisitos, como documentos de regularidade junto ao CREA;
- se a licitação está prestes a entregar uma contratação para alguma empresa impedida de contratar junto à administração pública;
- se as empresas concorrentes têm sócios em comum.
“Esses dados não são em si irregularidades, mas indícios que apontam para o auditor olhar o edital de maneira mais detalhada”, diz Silva.
A auditora federal Tania Lopes Pimenta Cioato foi uma das primeiras a ter contato com Alice, ainda em sua fase de piloto, em novembro de 2016. “Eu recebo por dia entre 30 e 40 editais e entre 15 e 20 atas”, diz.
Um dos robôs usados pelo TCU, a Alice lê todos os editais publicados no dia e avisa quais possuem indício de irregularidade. (Foto: Divulgação/TCU)
Marcelo Rodrigo Braz, o titular da Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação do TCU, responsável pelos robôs, diz que o principal trunfo é “evitar que a irregularidade ocorra”.
“O maior ganho que a gente tem é que os órgãos retiram, anulam ou cancelam os editais e fazem outro da forma correta”, diz Braz.
A Alice já ajudou auditores a frear contratações públicas irregulares pelo país. Em Goiás, dois editais de uma obra foram suspensos no ano passado. Em Roraima, o órgão público foi obrigado a refazer o edital. Ela também já constatou editais irregulares do Itamaraty e de reformas com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Há também exemplos dos parceiros do TCU. O Ministério Público da Paraíba começou a ter contato com as plataformas em junho de 2017.
“A gente usa a Alice como indicador. Ele cruza os editais diários e identifica a potencialidade”, diz Octávio Celso Gondim Paulo Neto, promotor do MP-PB.
Sofia e Monica
Enquanto Alice faz sugestões do que investigar, Sofia não é tão contida. Ela aponta erros nos textos dos auditores, sugere correlações de informações e indica outras fontes de referência.
“A Sofia é um robozinho que vai no texto do auditor e tenta achar algo que pode ser alguma coisinha que ele deixou passar ou alguma informação que ele devia saber”, comenta o diretor sobre o trabalho do robô, cujo nome é uma abreviação para Sistema de Orientação sobre Fatos e Indícios para o Auditor.
Por exemplo: em um texto que propõe punição a uma empresa, ela pode indicar se há sanções contra a companhia ou se ela consta em processos no tribunal. Ou ainda apontar se a empresa possui outros contratos com a administração pública.
“A Sofia é um botãozinho no Word”, explica Cioato. Ao apertá-lo, ela lista informações associadas aos números de CNPJ, do processo e de CPF incluídos no texto. Diz até se algum dos envolvidos já morreu.
Trabalhando há 10 anos no TCU, a auditora diz que os dois robozinhos ajudam. “Se fosse alguma burocracia, mais um processo obrigatório de trabalho, alguém poderia dizer que dificulta, mas não. Facilita muito”, diz ela.
Já Monica é um painel que mostra todas as compras públicas, incluindo as que a Alice deixa passar, como contratações diretas e aquelas feitas por meio de inexigibilidade de licitação (quando um serviço ou produto possui apenas um fornecedor).
‘Cérebro’
Alice, Sofia e Monica são interfaces de um sistema maior, chamado de Laboratório de Informações de Controle (Labcontas). Ele funciona como o “cérebro” das robôs e é de onde elas tiram as informações em que baseiam suas sugestões e pitacos. Ele reúne 77 bases de dados, como:
- Registro de contas governamentais;
- Lista de políticas públicas;
- Composição societária de empresas;
- Contratações que possuem recursos públicos;
- Servidores públicos processados por instâncias de controle.
“No Labconta, essas informações estão colocadas em um local único e de forma integrada. Isso nos permite ver em perspectiva o impacto de uma coisa sobre a outra”, explica Silva. Além disso, o sistema possui tecnologias que permitem o cruzamento da informação de uma base com os dados de outra.
É ao Labconta que os promotores mais recorrem. Extraíram de lá, por exemplo, informações usadas para identificar no ano passado 320 pessoas que recebiam benefícios indevidos do Instituto de Previdência do Município de João Pessoa (IMP/JP).
A partir de uma denúncia, o MP-PB garimpou no sistema dados a partir das matrículas de todos os 5 mil servidores do órgão. Descobriu que alguns deles não tinham vínculo com o IPM, mas recebiam contribuições previdenciárias mesmo assim.
“Se a gente fosse fazer isso na mão, certamente iria enlouquecer”, diz Paulo Neto, promotor do MP-PB. “Eu acho que esse é o futuro do combate à corrupção.”
Dentro do TCU, o uso do Labconta é considerado uma revolução. Na área que investiga benefícios previdenciários e trabalhistas, por exemplo, conseguir dados como o de aposentadorias era uma maratona que demorava alguns dias. Até quatro meses já foram consumidos nesse tipo de análise.
“O que mudou foi a tempestividade. Antes, a gente fazia um trabalho desses a cada dois anos. Agora, a gente recebe as bases atualizadas mês a mês”, diz Rodrigo Hildebrand, auditor federal do TCU.
A quantidade de dados também aumentou. Até a implantação do Labcontas, há quatro anos, o TCU analisava com mais frequência três tipos de benefícios previdenciários: pensão por morte, benefícios rurais e aposentadoria por idade. O sistema permitiu a análise de todos os 96 benefícios.
Com isso, diz Hildebrand, conseguem detectar mais facilmente pagamentos irregulares de seguro-defeso (uma espécie de seguro-desemprego para pescadores artesanais) e de Bolsa Família.
“Na administração pública, toda informação que é trabalhada está em base de dados. Se o auditor não tiver acesso a essa informação para que ele possa trabalhar, o trabalho de auditoria é completamente inviabilizado”, diz o secretário Marcelo Rodrigo Braz.
Futuro
Silva diz que nenhuma das plataformas estão concluídas e melhorias ainda estão nos planos. A Alice, por exemplo, ainda deve ganhar habilidade para observar outros detalhes. Os técnicos chamam isso de “regras”. Hoje a Alice não olha dispensa de licitação, mas isso já está no radar.
Outras melhorias são tornar os apontamentos do robô mais precisos, incluir mais bases de dados e levar todas as aplicações a outros órgãos públicos.
Fonte: Como as robôs Alice, Sofia e Monica ajudam o TCU a caçar irregularidades em licitações